SONHO IMPERFEITO

Os dias longos tropeçam nos pés gastos,
Nas ruas assoladas, assombradas
Pelos corpos cansados das almas pobres,
Que aguardam pela noite para dormir e sonhar,
Que vivem de poemas rasgados das páginas,
Das letras desbotadas desligadas das palavras,
Dos olhos esquecidos na escuridão,
Das mãos sujas sem força,
Dos rostos com rugas sem tempo.
É assim quando acordas e paras de sonhar;
É assim que vives:
De um só tempo e da tua rua estreita;
De um só dia e da tua imagem imperfeita;
Nos teus olhos e só quando há luz.
É assim que vives.
Só até ti, num sonho imperfeito.
 
                    Fernando Aires

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