A UMA MULHER

 
Para tristezas, para dor nasceste.
Podia a sorte pôr-te o berço estreito
N'algum palácio e ao pé de régio leito,
Em vez d'este areal onde cresceste:

Podia abrir-te as flores — com que veste
As ricas e as felizes — n'esse peito:
Fazer-te... o que a Fortuna há sempre feito...
Terias sempre a sorte que tiveste!

Tinhas de ser assim... Teus olhos fitos,
Que não são d'este mundo e onde eu leio
Uns mistérios tão tristes e infinitos,

Tua voz rara e esse ar vago e esquecido,
Tudo me diz a mim, e assim o creio,
Que para isto só tinhas nascido!

                         Antero de Quental, in "Sonetos"

Comentários

  1. Maravilloso, es un poema realizado con mucho sentimiento

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Antero: poeta de origem açoriana. Um dos maiores entre os grandes da literatura Portuguesa. Os Açores têm muito orgulho nele e em outros tantos que abrilhantaram a poesia de lingua Portuguesa.

      Eliminar
  2. É impressionante o que se vê além das letras rígidas e frias em sua fácies cadavérica. A vida salta aos olhos vêem...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Na verdade, existe uma dualidade que é permanente na poesia de Antero: riqueza e pobreza, felicidade e tristeza, ..., Agora, há uma mensagem central de respeito, admiração e amor por aquela mulher.

      Eliminar
  3. Simplesmente,lindo.
    Sálvio Sérgio
    http://salviosergiocampos.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Agradecemos, desde já, o seu comentário.

Mensagens populares deste blogue

CANTIGA DOS AIS

CANÇÃO DA MOÇA-FANTASMA DE BELO HORIZONTE

Aconteceu-me