ESCRITA PURA

«Gostaria de escrever algo de completamente diferente, um estilo de linguagem de uma simplicidade nunca vista, limitada às notas essenciais da música da alma. Sem adornos e sem efeitos “teatrais”. Sem gramática. Alguma coisa que viesse como uma respiração, um luminoso apelo tanto à sensibilidade dos poetas como à das pessoas simples da terra. Como se faz?» Assim mesmo: «Um dia daqueles que se arrastam pela grota acima como um pedregulho deste tamanho. O vento como uma incha de mar a fazer ranger portas e janelas, a vergar os ramos, a arrastar pelos ares gaivotas desamparadas. A sensação de me mover como um fantasma no vale dos mortos, um punho fechado no lugar do coração».

                                                                           Fernando Aires

Refundição de dois textos de Teresa Martins Marques, Leituras Poliédricas, Lisboa, Universitária Editora, 2002, pp.288-295 e 430-431. Texto encontrado em http://www.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/index.php?k=Fernando-Aires-em-Forma-de-Cheiro-ou-de-NuvemTeresa-Martins-Marques--.rtp&post=28599

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